Resgatando a paternidade integral – Parte 2
Todo filho quer um pai que ensine com o exemplo, do que com palavras
A
psicologia chama de projeção quando identificamos no outro aquela
característica que é própria em nós. Normalmente, temos mais facilidade
em identificar os erros e defeitos no outro – mais que as virtudes que
essas pessoas têm.
Quando
isso acontece no ambiente familiar, invariavelmente, nos inclinamos a
corrigir nos filhos os erros que os vemos cometer, esquecendo-nos de que
nós os ensinamos com o próprio comportamento a agir assim. Isso choca
um pouco, eu sei, mas quem poderá dizer que na prática não é isso o que
acontece?
E
a situação passa de mal a pior, e se torna até vergonhosa, quando pais e
mães dizem:“ Você deve fazer assim porque eu estou mandando”. Quando
isso acontece, assinamos um “atestado de incompetência”, já que exigimos
o que não praticamos. Fique atento. Se essa situação surgir, uma luz
vermelha vai acender e você deve se corrigir. Talvez a melhor maneira de
falar seja:“ Filho, você sabe que o papai tem o mesmo problema. Ambos
erramos na mesma área. Vamos orar e pedir a Deus a ajuda do Espírito
Santo para nunca mais fazermos isso… Vamos combinar que quem errar assim
novamente vai ter que pagar dois reais! Vamos combinar assim?
O
exemplo deve validar as palavras dos pais. Especialmente quando os
filhos são pequenos, crianças, o descompasso entre o que falamos e o que
fazemos confunde a criança no seu processo de aprendizagem. Quando a
criança ouve uma regra que é reconhecida como certa e vê uma ação que
não corresponde a essa regra, ela enfrenta um conflito em sua
compreensão. Aos poucos, isso vai provocar problemas mais graves, e ela
vai desenvolver conceitos como:
– não preciso dizer a verdade;
– não preciso cumprir minhas promessas;
– a mentira tem o mesmo valor da verdade e vice-versa;
– o padrão ético será comprometido na idade jovem e adulta;
– meus pais não são verdadeiros
Além desses problemas, haverá muitos outros danos à formação dessa criança e ao modo como agirá quando se tornar adulto.
A
autoridade dos pais, portanto, será o resultado da coerência entre
“ações” e “palavras” (Jó 13.15; 1Co 11.1; Fp 3.17). A maior herança que
um pai pode deixar ao seu filho é um caráter digno de ser imitado. E
como isso é possível? Não conheço outro modo senão por meio do
comportamento exemplar e coerente em relação a suas palavras.
Veja
o que está escrito em 1 Reis 9.4-5a, numa situação na qual o Senhor se
dirige a Salomão falando a respeito de seu pai, Davi: “Se andares
perante mim como andou Davi, teu pai, com integridade de coração e com
sinceridade, para fazeres segundo tudo o que te mandei e guardares os
meus estatutos e os meus juízos, então confirmarei o trono de teu reino
sobre Israel para sempre”.
Não
restam dúvidas sobre o fato de que o maior legado que um pai pode
deixar para os filhos não é uma fazenda com 20 mil cabeças de gado; não
são cinquenta casas alugadas; não é uma carteira de investimentos com R$
1 milhão. A maior herança e legado que um pai poderá deixar para seus
filhos é um caráter digno de ser seguido.
Uma
vida íntegra, digna de ser imitada, nós encontramos em um pai que é um
exemplo de justiça, de honestidade, de lealdade, de verdade, de
cortesia, de cavalheirismo, de humildade, de mansidão e de respeito. E
nas mães da mesma maneira.
Os pais deverão ensinar a amar amando.
Os pais deverão ensinar a verdade falando a verdade.
Os pais deverão ensinar gentileza sendo gentis.
Os pais deverão ensinar respeito respeitando.
Os pais deverão ser um exemplo como marido e como esposa.
Os
pais deverão ser um exemplo também como filhos, como genros, como
sogros, como amigos, como discípulos de Cristo. Só assim podermos pensar
e desejar uma mudança mais ampla no nosso bairro, na nossa cidade, no
país… e no mundo!
Toda
mudança necessária à sociedade, almejada por muitos e anunciada como
plano de governo dos candidatos em ano de eleição, só pode se
concretizar se partir do solo familiar. As mudanças que esperamos nunca
virão por iniciativa de vereadores, deputados ou senadores: elas
partirão de nossa própria casa.
Não
poderá haver incoerência entre o que ensinamos e o que praticamos. Se a
sociedade está desta maneira hoje é porque ontem houve um tremendo
descompasso entre a “fala” e a “prática”. Portanto, antes de falar,
observe a si. Antes de ditar a regra, avalie seu comportamento. E então
creia no melhor para a sua família, no melhor futuro para seus filhos e
para vocês, pais e mães, na velhice de ambos.
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Pastor Josué Gonçalves
Fonte: Verdade Gospel


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